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FONTE:
Proposta Educativa de Fé e
Alegria Brasil. Fé e Alegria.
São Paulo - SP: outubro de 2010. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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Fé e Alegria concebe a
Educação Popular como uma proposta
pedagógica e política de transformação
desde, pelas e com as comunidades para a
superação da opressão, da discriminação e da
exclusão, contribuindo com a formação de
cidadãos democráticos, capazes de
construir
qualidade de vida, agentes de mudança e
protagonistas de seu próprio
desenvolvimento, pela aprendizagem
permanente de todos com todos, ao longo da
vida, corporificando relações que nos
libertem pessoal e coletivamente.
A opção pela Educação Popular como uma
perspectiva de toda a educação implica o
desvelamento de outras concepções nela
implícitas, tais como a concepção de ação
educativa, de educação inclusiva, de
qualidade educacional, de perfil de
educador, de educando, de metodologia, de
avaliação e de gestão educacional. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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A
Ação Educativa
de Fé e Alegria:
• é processo formativo que se dá ao longo de
toda a vida do ser humano pelo contato com
os outros, dos quais recebe influências e a
quem influencia, transformando o potencial
de ser humanidade;
• tem caráter intencional e sistemático de
ensino e aprendizagem, na perspectiva da
história: parte-se de saberes individuais
sobre a realidade, acessa-se um conhecimento
acumulado e, a partir dele,
o educando
aprimora-se, qualifica-se, realiza novas
descobertas e transfere esse aprender a
aprender às necessidades, por vezes
inéditas, do seu tempo, reelaborando e/ou ressignificando concepções e práticas a
partir da realidade na qual está inserido,
com os olhos no passado vivido pelos que nos
precederam, e as perspectivas que se
delineiam como utopias viáveis a serem
ancoradas no presente;
• é projeto histórico, ideologicamente
explícito e integrado num projeto social e
global de luta das populações empobrecidas;
• é ato cotidiano que tem como objetivo a
apropriação das capacidades de organização
em redes sociais e autodireção, o
fortalecimento da consciência de classes, a
intervenção criativa e organizada na
transformação da estrutura social. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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A
Educação
Inclusiva para Fé e Alegria é
aquela que:
• se volta às parcelas excluídas de
direitos, bens materiais e simbólicos e a
todos aqueles que, com ou sem deficiência,
vivem na perversa situação de
“marginalizados”, na verdade sofrendo
discriminação e apartheid dentro da
sociedade, gerados por ela, e incluídos na
miséria, na fome, na dependência e,
freqüentemente invisibilizados ou destinados
ao extermínio;
• garante o acesso ao espaço comum da vida
em sociedade, acolhe as pessoas na sua
diversidade, respeita as diferenças físicas,
intelectuais, sociais, sexuais, étnicas,
linguísticas ou quaisquer outras
necessidades educativas especiais, criando
condições para que todos possam aprender, se
desenvolver, conviver, interagir, participar
e exercer a sua cidadania com autonomia e
liberdade;
• reconhece que todas as crianças,
adolescentes e jovens apresentam algumas
necessidades educacionais comuns e básicas
para chegar às aprendizagens; que cada
pessoa possui uma maneira própria e
específica de adquirir e aprender com as
experiências; e que essas necessidades são
resultados da origem social e cultural, bem
como de fatores pessoais;
• se refere a um conceito de inclusão que
enfatiza o papel da educação
de atender à
totalidade de indivíduos e, em especial, de
garantir a
igualdade de acesso e qualidade
na permanência às pessoas com necessidades
educacionais especiais ;
• implica eliminar barreiras, inclusive
arquitetônicas, que se contrapõem à
aprendizagem e à participação de crianças,
adolescentes, jovens e adultos, com a
finalidade de que as diferenças
político-sociais, culturais,
socioeconômicas, individuais e de gênero não
se transformem em desigualdades educacionais
e, consequentemente, em desigualdades
sociais. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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Diante do caráter
multidimensional e polissêmico que o termo
qualidade
adquire na atualidade, faz-se necessário
explicitar a perspectiva adotada neste
documento. Reconhecendo que o conceito de
qualidade da Educação é controvertido e
ideológico e tem a ver com o sistema de
valores e a cultura da sociedade quanto ao
ser humano que se quer formar e a sociedade
que se quer construir, admite-se aqui a
qualidade como
um processo dinâmico,
participativo e democrático que se constrói
nas interações das ações cotidianas à medida
que todos se reconhecem como sujeitos e com
direito à voz. Nesse sentido, a Qualidade da
Educação se inscreve em um processo
histórico, se nutre de um contexto, assume
um projeto de cidadania e está ligada ao
conceito de equidade no respeito às
diferenças.
Para Fé e Alegria, essa qualidade da
educação se constrói
dentro de um marco
conceitual coerente com a identidade e a
proposta do Movimento comprometida com a
Educação Popular, assim definida: |
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Qualidade na educação popular é
aquela que busca formar a pessoa
integralmente, potencializando o
desenvolvimento pleno de todas
suas dimensões, a que valoriza
sua unicidade individual e sua
pertença sociocultural
favorecendo a apropriação e
construção pessoal e coletiva de
conhecimentos, atitudes e
habilidades; é a que contribui
para melhorar a qualidade de
vida pessoal e da comunidade,
comprometendo as pessoas na
construção de uma sociedade
justa e humana. Educação de
qualidade é a que se caracteriza
por uma prática educativa e de
promoção social entendidas como
processo participante,
solidário, conscientizador,
transformador, avaliativo e
reflexivo, relevante, criativo,
equitativo, viável, e eficaz,
elaborado desde e com os
excluídos, que promove uma
liderança grupal sem exclusão,
no qual cada um tem um lugar
específico no trabalho em
comunidade.
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Nesse conceito,
constam diversas dimensões da ação educativa
de Fé e Alegria, as quais podem identificar
através dos seguintes binômios:
• Equidade e eficácia — alcançar os
objetivos educativos
promovendo o
crescimento de todos.
• Criatividade e eficiência — Em coerência
com a identidade de Fé e Alegria, criar uma
cultura organizativa capaz de potencializar,
gerir e aproveitar criativamente os recursos
disponíveis.
• Participação e pertinência — favorecer a
participação nos processos educativos e de
gestão para
responder às demandas da
sociedade.
• Solidariedade e focalização — considerar
em que medida as ações e programas
educativos chegam àqueles que os solicitam.
• Inovação e transformação — Inovar é
transformar e ressignificar as práticas
pedagógicas e sociais em função de
necessidades surgidas do contexto que dêem
vigor e visibilidade maior à proposta
educativa.
• Impacto e qualidade de vida — utilizar os
conhecimentos adquiridos para melhorar o
desempenho do egresso como cidadão
comprometido na construção de uma sociedade
justa.
A qualidade almejada é suscitada pela
comunidade educativa de Fé e Alegria e deve
convocar vontades de todos (TORO, 1997) por
sua significação mobilizadora, que vem ao
encontro das necessidades materiais e
subjetivas, servindo para iluminar e realçar
a mística das práticas desenvolvidas nos
diferentes programas e centros educativos,
sem perder de vista a opção pela
melhoria da
qualidade de vida da população e a luta pela
transformação de relações desiguais na
sociedade. Requer dos envolvidos compromisso
ético, técnico, político e também estético.
A mística mencionada anteriormente diz
respeito à mobilização das disposições
subjetivas, relacionais e existenciais que
conferem força e radicalidade expressivas
nascidas do interior de cada pessoa, no
espaço educacional de Fé e Alegria,
impulsionando dimensões de sentido,
altruísmo, tenacidade e justiça na
proposição, na execução e na necessária
alegria e esperança em corporificar o
esforço pela melhor educação subsidiária à
causa dos oprimidos, que engrandece a toda a
humanidade. A mística diz-se não apenas da
leitura da dedicação das pessoas aos olhos
da fé, mas de todo impulso alimentador,
renovador, impulsionador das mais
importantes ações que se refiram à missão
das pessoas num movimento, instituição ou
ação organizada. Ela demanda o apelo à
memória coletiva, o espaço de
compartilhamento da experiência de cada
um(a) à causa comum. Solicita, ainda, a
celebração daqueles que, já não estando
presentes fisicamente, encareceram a causa
de todos, a reiteram no presente e o fazem
por meio de momentos celebrativos com forte
teor simbólico, onde se representam nos
sinais e se tornam presentes em linguagens
plásticas a caminhada realizada, as grandes
bandeiras de mobilização e as vitórias
obtidas pela solidariedade no enfrentamento
das crises e se sinalizam as grandes utopias
à frente, reanimando os
laços de
fraternidade, alegria na missão. Todo
processo educacional possui na celebração da
mística o seu motor mais importante para que
as ações institucionais, burocráticas e
instrumentais necessárias não percam a sua
fecundidade, que nasce das relações afetivas
e de identidade comum, de sentidos
compartilhados e existencializados no âmbito
coletivo.
Na perspectiva apontada, a qualidade da
Educação:
1. não é compreensível sem uma correlação
direta com a qualidade de vida;
2. explicita a concepção de educação, de
pessoa e de sociedade que se tem;
3. tem sentido na cultura;
4. deve garantir a rigorosidade do acesso ao
conhecimento e da pedagogia para essa ação;
5. preocupa-se com
a formação e a prática
dos educadores para a educação que se deseja
propor;
6. investe na investigação e na pesquisa;
7. constrói uma cultura tecnológica;
8. acredita na qualidade da escola pública
como pré-condição da democracia.
É na busca da qualidade apontada que Fé e
Alegria vem desenvolvendo
experiências
sistemáticas de trabalho nos meios
populares, o que contribui e realça o
sentido das ações coordenadas e o caráter
imprescindível do papel desempenhado pelos
professores e professoras, na definição, na
formulação e na implementação de programas
de educação. Assume a Educação Popular como
forma de enfrentar o modelo educacional
excludente em vigência, ao possibilitar que
os educandos, ao conhecerem, historicizarem
e problematizarem a sua realidade, sem
desvinculá-la do contexto mais amplo da
sociedade e da cultura,
façam valer as suas
reivindicações e a aceitação de suas raízes
culturais, identidades e suas lutas. |
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*** Redação definida em 2003 no Congresso
Internacional de Fé e Alegria sobre o tema
“Qualidade da Educação Popular: uma
Aproximação desde Fé e Alegria”. |
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Educação
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Concepção
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Os
princípios
pedagógicos em que Fé e
Alegria acredita originam-se da prática
engajada que se concretizará a partir de
importantes
dimensões da
pessoa do educador, apontando
também a obrigação de Fé e Alegria garantir
a formação permanente dos seus docentes,
para que possam responder às necessidades
explicitadas pela proposta pedagógica que se
deseja transformadora nas diversas áreas de
atuação de Fé e Alegria: Educação Formal,
Educação Não Formal, Desenvolvimento
Comunitário, Formação de Educadores
Populares, Comunicação e Ação Pública.
É consenso que o educador comprometido com o
trabalho em Fé e Alegria:
• possui uma
percepção aguda e crítica que o
orienta nas ações educacionais desvelando e
lutando contra as causas geradoras do
processo de exclusão de crianças,
adolescentes, jovens e adultos: do
empobrecimento, da marginalização e da
injustiça social;
• é ouvinte
perspicaz e compreensivo de todos
os atores comprometidos com o processo
educativo;
• democratiza a cultura e socializa
o saber popular,
o senso comum, na perspectiva da
interlocução destes saberes com a cultura
acumulada, sistematizando-os e
expressando-os através da comunicação das
camadas populares;
• cultiva a paciência histórica para não
violentar o direito à privacidade,
o ritmo e a
dinâmica de cada educando,
apoiando-os em suas decisões pessoais;
• desenvolve um
olhar dialógico e dialético,
porque é envolvido com a pedagogia
eco-sócio-crítica no que se refere a uma
visão holística, integradora das dimensões
do ser humano;
• busca conhecer, acolher e interpretar a
realidade,
o contexto e os sentidos que o educando dá
ao lugar onde está inserido;
• procura conhecer, compreender e
democratizar os
sentidos dos saberes e práticas populares
presentes na cultura da comunidade
educativa e superar o
multiculturalismo por uma vivência dialógica
intercultural;
• acompanha com
respeito e esperança o grau de
maturação dos educandos em relação à
aprendizagem;
• é leitor e pesquisador,
cultiva a
curiosidade epistemológica, é
atento às mudanças sociais e sensível aos
desafios vividos pelos educandos,
compartilhando a sede de transformação
pessoal, social e planetária. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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A partir deste
documento, pode-se afirmar que os
processos
educativos de Fé e
Alegria, atentos ao acolhimento
amplo daqueles que demandam atendimento, têm
a intenção de
educar homens
e mulheres:
• que valorizam e respeitam seu corpo e o
dos demais e cultivam os hábitos do esporte,
do lazer sadio, do cuidado com o ambiente em
que vivem;
• que desenvolvem relações sadias consigo
mesmos, com o mundo, com o ambiente, com as
outras pessoas e com o Transcendente,
assumindo o diálogo, o cultivo da amizade e
a vida em comunidade;
• conscientes de seu poder político
e como
participantes ativos dos processos
decisórios da coletividade;
• que reconhecem, em suas identidades
pessoais, a dimensão transcendente,
expressando e celebrando a fé e a mística,
no encontro consigo mesmos e na vida
comunitária;
• que
dominam e utilizam criticamente
as
tecnologias, as linguagens e os
instrumentais necessários para dar
continuidade, de maneira autônoma, aos
próprios processos de aprendizagem, ao longo
da vida;
• que utilizam, com competência e de forma
crítica, a língua materna e os conhecimentos
das diferentes áreas das ciências, como
subsídio para a leitura de mundo, para a
futura formação profissional e para o
exercício consciente da cidadania.
• que sejam solidários e éticos,
comprometendo-se e assumindo
responsabilidades, em seu cotidiano, na vida
comunitária e na futura vida profissional.
• que têm em vista um projeto de realização
pessoal, com base na
integração dos valores
de honestidade, solidariedade,
responsabilidade, ética, liberdade, justiça,
consciência crítica e compromisso com a paz
universal. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
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social comunitária |
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Como
Movimento
de Educação
Popular, inspirados no Plano
Estratégico Nacional de Fé e Alegria do
Brasil, assumimos “a educação como proposta
pedagógica e política de transformação desde
e com as comunidades” ,
para contribuir
junto aos cidadãos
na construção da
democracia, permitindo-lhes conquistar
qualidade de vida e expressar sua condição
humana e histórica de agentes de mudanças e
protagonistas de seu
próprio
desenvolvimento.
Uma proposta pedagógica e política de
transformação a partir das, pelas e com as
comunidades implica necessariamente a opção
por uma metodologia de trabalho que garanta
o protagonismo dos sujeitos/comunidades
envolvidas, cabendo ao educador, desde logo,
o papel daquele que medeia, promove
reflexões, desafia, provoca e apóia. A
distribuição desses papéis, o jeito de fazer
e o caminho a percorrer, define uma
metodologia de trabalho. Se a proposta
educativa se viabiliza desde e com as
comunidades, temos aí já um primeiro
requisito: o ponto de partida é a prática
social dessas comunidades, a vida mesmo dos
sujeitos em suas comunidades, que,
problematizada, passa pelo crivo de
criteriosa análise que possibilita um nível
de conscientização, o qual desencadeia o
processo de ação transformadora. Define-se,
assim, um jeito peculiar de fazer, porque há
uma finalidade especial a atender: a
transformação, a mudança para melhor,
protagonizada pelos próprios sujeitos
envolvidos.
Este é o jeito de fazer da
educação popular.
As características dessa metodologia
inscrevem-na numa denominação generalista de
metodologia da problematização. Seus
pressupostos são amplamente reconhecidos nos
fundamentos teóricos de Paulo Freire.
Paulo Freire defendeu sempre uma Educação
Problematizadora, uma Pedagogia
Problematizadora, aquela que, contrapondo-se
à educação bancária ou à pedagogia bancária,
pudesse servir para
libertar o ser humano
dos seus opressores
e pudesse servir para a
sua emancipação e humanização (BERBEL,
1999).
Se rastrearmos outras fontes encontraremos
valiosas contribuições anteriores a Paulo
Freire e posteriores a ele. É possível
reconhecer no paradigma inaciano princípios
inspiradores da metodologia da
problematização, os quais, na teoria social
de Paulo Freire, se enrobustecem e, nos
fundamentos didáticos de Bordenave &
Pereira, Berbel, Hengemühle (entre outros),
se tornam explícitos em uma perspectiva
operacional.
O paradigma inaciano constituído pela
trindade “experiência, reflexão, ação”
assume, na dinâmica da prática educativa,
cinco pontos — ordenados em coerência com o
fim a que servem —, quais sejam: o contexto,
a experiência, a reflexão, a ação e a
avaliação (Pedagogia Inaciana, 2003).
O contexto implica que o educador popular de
fato se situe, o que requer o
conhecimento
sobre os sujeitos com os quais empreende sua
ação educativa, o conhecimento do contexto
socioeconômico, político e cultural em que
estão inseridos, os conhecimentos prévios
que trazem consigo e o conhecimento do
ambiente institucional em que o processo se
desenvolve.
A experiência propicia que, de forma direta
ou indireta, os educandos (sujeitos em
aprendizagem) percebam simultaneamente os
fatos e as próprias reações afetivas que
suscitam. “A experiência inaciana ultrapassa
a compreensão puramente intelectiva. Inácio
exige que ‘o homem todo’ — mente, coração e
vontade — se envolva na experiência
educativa” (Pedagogia Inaciana, 2003).
A reflexão oferece elementos de revisão e
reconsideração de um tema determinado, de
uma experiência, de uma ideia, visando
captar o seu sentido mais profundo ou mais
assertivo, e tem como foco
oportunizar a
construção de uma nova matriz de análise,
bem como de convicções e de ferramentas para
a ação.
A ação resulta da decisão consciente e do
compromisso de tomar uma
atitude diante da
experiência vivida ou observada. Decorre da
mobilização da vontade pelas convicções
formadas no processo de reflexão as quais,
agora, se expressam em gestos concretos de
intervenção.
A avaliação, na dinâmica do paradigma
inaciano, focaliza a retroalimentação que se
dirige tanto ao progresso intelectual quanto
ao progresso nas atitudes, nos modos de
proceder de acordo com o objetivo de ser
“pessoas para os outros” (Pedagogia
Inaciana, 2003).
O paradigma orientador da pedagogia
inaciana, mais do que uma proposta didática
estruturada de metodologia, tem o seu valor
maior por relembrar e incitar o educador
popular a não perder de vista a dimensão da
espiritualidade no “quefazer” educativo.
Essa inspiração/opção metodológica está
posta para seres humanos concretos, situados
num determinado tempo e num determinado
espaço. E, nessa perspectiva, a teoria
política e pedagógica de Paulo Freire é de
relevância ímpar. A problematização ganha,
com esse mestre, conotação e poder
revolucionários à medida que promove a
passagem da consciência ingênua para a
consciência crítica e, desta, para a
ação
coletiva qualificada e transformadora. A problematização é, portanto, o ponto inicial
da proposta pedagógica emancipadora desse
educador e se sustenta no eixo:
problematização-conscientização-práxis. |
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Quanto mais avança a
problematização e quanto mais os
sujeitos penetram na “essência”
do objeto problematizado, mais
capazes são de desvelar tal
essência. Quanto mais a
desvelam, mais se aprofunda o
despertar de sua consciência,
levando deste modo à
“consciencialização” da situação
por parte das classes pobres.
Sua autoinserção crítica na
realidade, quer dizer, sua
conscientização, faz com que a
transformação do seu estado de
apatia em um estado utópico de
denúncia e anunciação seja um
projeto viável (FREIRE, 1990).
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Assumir a metodologia
da problematização na prática educativa do
dia –a dia requer rigorosidade metódica
(FREIRE,1997). Nesse sentido, alguns
teóricos nos oferecem subsídios
didático-pedagógicos de como desenvolvê-la.
(BORDENAVE, PEREIRA, 2000) apresentam o Arco
de Maguerez como uma experiência validada
nesta metodologia. Posteriormente, Berbel
(1999) e Hengemühle (2004) publicam obras em
que a reapresentam e fazem algumas
adaptações a partir das necessidades da
educação na sociedade contemporânea.
Segundo os referidos autores, a Metodologia
da Problematização acontece a partir de uma
sequência de cinco etapas, as quais estão
intimamente relacionadas entre si.
Hengemühle (2004, p. 103) fez uma adaptação
do Arco de Charles Maguerez, apresentando a
sequência da seguinte maneira :

A situação-problema constitui-se no primeiro
passo da metodologia. Considerando o ponto
de partida e de chegada dessa metodologia,
inicialmente o sujeito aprendente é levado a
observar a realidade, apreendendo a
problemática implícita e identificando nela
os problemas-chave que se pretende abordar.
Assim, ao se aproximar da realidade, no
intercâmbio de múltiplos olhares subjetivos,
o aprendente alcança uma percepção mais
aprofundada e alargada do contexto e das
práticas sociais nele vigentes. É desejável
que o educador, nesta etapa, conduza o
processo de forma intencional, selecionando
pontos-chave na perspectiva dos objetivos
que almeja alcançar e assumindo atitudes de
mediação, de questionamento, de escuta e de
orientação.
Frente à situação-problema ou situação
complexa os educandos são provocados
a
apresentar possíveis respostas que expliquem
e justifiquem as causas e/ou as consequências da situação-problema, o que
configura o 2º passo da metodologia: as
hipóteses de solução. Relevante, nesse
momento, é que os conhecimentos prévios e a
visão de mundo dos educandos sejam acolhidos
e valorizados como condição da possibilidade
de construir significação. A partir das suas
experiências de vida, dos conhecimentos do
senso comum e da sabedoria popular,
levantam-se hipóteses frente ao observado.
O momento do levantamento de hipóteses
pretende ainda gerar um “desconforto”
(segundo Piaget, desequilibração) que
resulte na geração da necessidade ou desejo
pela busca por respostas mais pertinentes
para as questões em estudo. Mobilizam-se
assim referências para o 3º passo: a
teorização. A análise compreensiva da
situação-problema será possível por meio do
acesso às informações e aos conhecimentos
disponíveis nas mais diversas fontes, e sua
qualidade está vinculada a essa diversidade
e à capacidade, por parte do educador, de
viabilizar esse acesso utilizando-se de
distintos recursos e variadas estratégias
que requeiram diferentes níveis operatórios
dos educandos. Os aprendizes começam a
estabelecer
relações entre o que observaram
na realidade, os problemas identificados, as
hipóteses levantadas e as teorias com que
passam a ter contato, as quais ampliam e
aprofundam aquilo que eles já sabem,
possibilitando-lhes a (re)construção de um
saber anterior, com novas bases de
fundamento. Nesse momento, os educados
interpretam, resumem, comparam, classificam,
organizam e selecionam informações,
analisam, elaboram sínteses e decidem. Todos
esses processos são habilidades ou operações
mentais (RONCA, 2001) que passam a ser
mobilizadas na
busca pela
compreensão do problema
que está sendo conhecido,
investigado e interpretado.
No 4º passo — hipóteses de solução com
argumentação fundamentada — os educandos
voltam aos registros das hipóteses que
levantaram no 2° passo e analisam,
compreensiva e criticamente, as respostas e
explicações que apresentaram, validando-as,
negando-as ou substituindo-as. Podemos dizer
que aqui, além de uma nova compreensão,
começa a se
manifestar a competência, pois a
mobilização dos recursos cognitivos para
resolver problemas é o que leva à sua
construção. A competência torna-se visível
no momento em que articulamos nossos
conhecimentos, nossas habilidades e nossos
valores para
encontrar respostas a
determinadas situações complexas que
vivenciamos.
O 5º passo — compreensão, aplicação —
encaminha novamente ao ponto de partida.
Nesse momento, o educando é desafiado a
voltar para a realidade (pessoal, social),
agora com um
novo olhar, tendo condições de
analisá-la e compreendê-la com mais
propriedade, percebendo a complexidade das
relações que se estabelecem nos problemas
abordados. É esperado, nesta etapa, que o
sujeito tenha avançando no seu nível de
consciência (FREIRE, 2005), pois, aos
poucos, os procedimentos vivenciados
oportunizam que a realidade seja percebida e
analisada não mais com argumentos
circunstanciais ou aparentes, em nível de
senso comum menos elaborado, mas que a
leitura da realidade e as propostas de
intervenção estejam assentadas nas novas
bases de fundamentos construídas. A cada
conteúdo estudado, com essa metodologia, os
educandos desenvolvem uma
consciência
mais crítica sobre a realidade, o que possibilita
sua articulação coletiva em prol de
melhorias de vida para o seu grupo social.
Esse processo é o que Freire explica como o
avanço do nível da consciência ingênua para
a crítica, possibilitando a emancipação das
pessoas e a transformação da realidade.
A metodologia da problematização favorece
também o tratamento interdisciplinar dos
conteúdos, com diversas formas (entre elas o
tratamento temático, de área de
conhecimento, por projetos ou
transdisciplinar), especialmente na educação
formal, pois, sendo a realidade o seu ponto
de partida, essa nunca se apresenta de forma
(uni)disciplinar. É salutar também ressaltar
que, quando se assume explicitamente a
metodologia da problematização como a
metodologia privilegiada por Fé e Alegria,
isso não significa que tenhamos de assumi-la
de forma engessada e uniforme. A pedagogia
freireana só pode ter essa identidade se for
capaz de se recriar em situações inéditas.
Dependendo da área de atuação em que os
educadores populares estejam inseridos, em
determinados momentos, algum dos passos que
a constituem pode requerer maior ou menor
ênfase. Outrossim, é recomendável lembrar
que a metodologia da problematização é
referida também como pedagogia
problematizadora (Paulo Freire) e sob este
ponto de vista pode ser vivenciada por meio
de outras formas e estruturas didáticas além
da apresentada anteriormente, como, por
exemplo, a do desenvolvimento de projetos
pedagógicos.
Na permanente construção da competência
humana, mística, técnica e política o
educador popular de Fé e Alegria buscará
aprofundamentos teóricos e compartilhamento
de experiências para, permanentemente,
com
sabedoria, qualificar a sua ação educativa. |
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Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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Na educação assumida
por Fé e Alegria, a
avaliação
está intrinsecamente ligada a um
planejamento participativo, dialético e
dialógico. É através dessa avaliação
dialógica e formativa que os objetivos,
estratégias e conteúdos são revistos,
propiciando ao educando, ao educador e à
própria comunidade elementos que os tornem
mais conscientes, críticos e competentes em
relação ao seu papel de
agentes de mudança.
A partir desse entendimento, Fé e Alegria
assim caracteriza seu processo avaliativo:
• assume a concepção de avaliação
emancipatória, o que significa um processo
que propicia tanto a construção de sujeitos
competentes na leitura da realidade, na
proposição e na execução de ações
transformadoras quanto a produção de
conhecimento;
• envolve todas as pessoas ou representantes
de setores, categorias ou áreas
profissionais no processo de planejamento,
execução e avaliação das ações, da
elaboração de orçamentos e projetos, da
prestação de contas e dos processos
pedagógicos;
• exigente de sistematização de todo e cada
processo educativo no sentido de que ele,
além de ser fonte de reflexão permanente do
próprio grupo, possa ser socializado,
contribuindo, assim, para
alimentar outras
experiências;
• até mais importante do que produzir e ler
resultados, a avaliação, compreendida como
processo de reflexão, ajuda a refletir sobre
como chegamos até aqui, assumindo um caráter
de pesquisa, de esforço científico, de
construção de conhecimento e também de
formação de construtores de conhecimento;
• descarta a figura do avaliador como
detentor do poder de ajuizar e do avaliado
como mero objeto da avaliação, porque
implica responsabilidade de todos na busca
coletiva de caminhos que levem à construção
de redes cada vez mais amplas de
reflexão/avaliação, formadas por educadores,
educandos, famílias e comunidade;
• quando se trata de projetos financiados,
focaliza os procedimentos, os conteúdos, os
objetivos, tendo como prioridade os impactos
do projeto perante educandos, educadores,
comunidade envolvida e parceiros;
• na educação formal, também tem o papel de
subsidiar a família, apresentando os
resultados na forma de notas, conceitos,
relatórios, relatos, portfólios e outros,
permitindo acompanhar o nível de
aprendizagem e desenvolvimento do educando,
fornecendo informações fundamentais para o
acompanhamento da família ao processo
educacional dos filhos. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
Concepção
de educando |
Concepção de metodologia |
Concepção de avaliação
Concepção de gestão |
Concepção de promoção
social comunitária |
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Entendemos por
gestão
um conjunto de ações realizadas em vista de
um objetivo previsto. Esse sentido amplo de
gestão designa o momento em que se planejam
o que se deseja fazer, a execução do que foi
planejado e os processos de controle e de
avaliação (BORJAS, 2006). A gestão em Fé e
Alegria é uma gestão cooperada, em vista da
transformação das pessoas e das estruturas.
Considerando a diversidade da realidade
brasileira e os diferentes contextos nos
quais se desenvolvem os trabalhos de Fé e
Alegria, o princípio da autonomia torna-se
uma premência na medida em que traduz o
próprio fundamento da vida democrática, que
é a aceitação da diferença. A garantia da
unidade do Movimento está na clareza das
concepções e no compromisso dos envolvidos
nessa construção, conforme anunciou Pe.
Vélaz ao reconhecer a comunhão na Identidade
e Missão, a condição capaz de evitar a
dispersão e garantir o respeito à
diversidade e ao acolhimento das diferenças.
Em decorrência disso, Fé e Alegria investe
na gestão autônoma, cooperada, participativa
e compartilhada desde a sua Identidade, a
qual se constitui no elo de união capaz de
garantir a unidade diante da riqueza e da
pluralidade das experiências que estão sendo
realizadas nas diferentes regiões do país.
Para o aprimoramento dessa prática de
gestão, faz-se necessário um constante
exercício de reflexão sobre as próprias
experiências vividas ao longo dos anos em
sua diversidade geográfica e cultural, bem
como levar em conta, reconhecer e aprofundar
os conhecimentos sobre a qualidade da
gestão, a partir dos estudos produzidos
sobre a temática.
A gestão, portanto, em Fé e Alegria, deriva
da condição de sujeitos de todos, em
princípio de subsidiariedade e união de
esforços em busca dos processos educacionais
libertadores, bem como dos processos de
operacionalização. Dessa forma, a gestão:
• é participativa em todos os níveis, de
modo que todos sejam incluídos no
planejamento, na execução e na avaliação dos
processos de trabalho de suas equipes e da
instituição;
• assume a concepção de cogestão
participativa comunitária — aquela que prima
pela organização de equipes de trabalho,
pela descentralização das informações e do
conhecimento, pela corresponsabilização na
tomada de decisões e pela inclusão
irrestrita da comunidade na gestão de
projetos, centros educativos etc. Essa
cogestão pode ocorrer através de
assembléias, participação em conselhos
gestores e eleição de representantes de cada
segmento, sem prescindir, todavia, da
presença de Fé e Alegria, com primazia ao
representante/coordenador da instituição
responsável de dinamizar e impulsionar os
processos de participação de forma coletiva
em cada projeto, programa ou frente de
trabalho de forma que a convergência de
esforços como corpo, garanta a melhor
organização, a eficácia e a eficiência que
se expressa pela efetividade e continuidade
dos resultados a longo prazo;
• opta pelos estilos democrático e de
consenso de participação, em que, no
primeiro, “o poder fica com o grupo, que
fixa os objetivos e estabelece os mecanismos
de ação”, e, no segundo, “os membros do
grupo preferem negociar as propostas, sem
precisar recorrer à votação, evitando assim
a criação de uma minoria perdedora, que pode
provocar depois alguns conflitos (BORJAS,
2006);
• incentiva e dá condições para que cada
centro elabore participativamente seu
Projeto Político Pedagógico o mais próximo
possível da
realidade em que vive a
comunidade local e da viabilidade de sua
articulação, decidindo, ainda, de maneira
autônoma, sobre o uso dos recursos e dos
procedimentos melhores para
alcançar os fins
desejados pela coletividade. |
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Educação
popular |
Concepção de Ação Educativa |
Concepção de Educação Inclusiva |
Concepção
de qualidade
Perfil de(o) Educador (Docentes) |
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Concepção de avaliação
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Concepção de promoção
social comunitária |
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| Fé e Alegria é de
promoção
social porque, diante das
necessidades de sujeitos concretos em face
da situação de injustiça, se compromete, de
forma participativa, a buscar caminhos para
a construção de uma
sociedade justa e
democrática. Para Fé e Alegria: |
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Promoção Social é a ação
coletiva que busca desenvolver
as potencialidades das pessoas e
das comunidades para colaborar
na transformação da sociedade,
na construção de um mundo mais
justo, participativo,
sustentável e solidário. A
promoção social não pode ser uma
ação institucional isolada, mas
compartilhada com muitos outros
sujeitos sociais. A promoção
social deve ir criando alianças
e tecendo redes sociais marcadas
por valores como a liberdade, a
justiça e a solidariedade. A
promoção social busca intervir
na melhora da qualidade das
condições econômicas, sociais,
culturais e políticas da vida
das pessoas e das comunidades.
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A promoção social,
portanto, é entendida como um processo de
melhora progressiva na qualidade de vida que
tem como foco a(s) pessoa(s) concreta(s),
nas suas múltiplas dimensões e
potencialidades, inserida(s) e
comprometida(s) com a sua comunidade. A
promoção, nessa perspectiva, reivindica uma
noção de processo
que impulsiona
procedimentos de construção da cidadania
como resposta às necessidades da comunidade.
Fé e Alegria assume e amplia essa definição
de promoção, incluindo nela o termo
“comunitário”, que, dado o contexto,
enfatiza a atuação em vários campos: desde a
sobrevivência imediata e individual até os
aspectos políticos e organizacionais, com o
escopo de incidir em mudanças das estruturas
que mantêm e perpetuam iniquidades e
injustiças sociais.
A promoção social comunitária para Fé e
Alegria, portanto, refere-se aos processos
de melhoria qualitativa das pessoas para que
estas possam atuar de forma crítica e
consciente na transformação da sociedade. Na
perspectiva de Freire: “A educação muda as
pessoas e as pessoas transformam a
sociedade” (FREIRE, 1997). Na perspectiva
colocada, a ação coletiva busca desenvolver
as potencialidades das pessoas e das
comunidades visando à transformação da
sociedade rumo à construção de um mundo mais
justo, participativo, sustentável e
solidário.
Para Fé e Alegria, a educação e a promoção
social compõem um todo
capaz de responder
aos desafios propostos, ao adotar uma
metodologia compartilhada — a Educação
Popular — e colocar como meta comum a
transformação. Ambas, educação e promoção,
se associam de modos distintos e
complementares de atuação nos dois cenários
relacionados entre si: comunidade escolar e
comunidade educativa.
• Comunidade escolar: dela fazem parte
as
pessoas e as relações que ocorrem na prática
cotidiana de um centro educativo. Tem como
finalidade oferecer uma educação de
qualidade que forme em valores, atitudes
positivas, conhecimentos e habilidades,
possibilitando a transformação de pessoas e
comunidades, a partir de uma
pedagogia
popular libertadora e evangelizadora.
• Comunidade educativa: refere-se à
comunidade do
entorno de cada centro
educativo. Dela fazem parte as organizações
comunitárias de base, como clube de mães,
associações de bairros, igrejas, clubes
desportivos etc., que de alguma forma
interagem na educação das pessoas.
Fé e Alegria, ao assumir uma promoção social
que tenha como finalidade precípua a
melhoria da qualidade de vida das pessoas,
individualmente, e da sua comunidade,
significa que as ações em todas as áreas de
atuação vão buscar um equilibrado
desenvolvimento humano, nas dimensões
física, psicológica, do nível da autonomia,
das relações sociais, do ambiente natural,
transcendente, econômico-social,
político-cultural. Além disso, ter qualidade
de vida implica ter hábitos saudáveis,
cuidar bem do corpo, ter tempo livre,
condições econômicas e/ou espaços públicos
para o lazer. Fé e Alegria entende também
por qualidade de vida a
percepção do
indivíduo tanto de sua posição na vida, no
contexto da cultura e nos sistemas de
valores nos quais se insere como em relação
aos seus objetivos, expectativas, padrões e
preocupações cotidianas. |
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| FONTE: Proposta
Educativa de Fé e Alegria Brasil. Fé e
Alegria. São Paulo - SP: outubro de 2010. |
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